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Trilhas, amigos e o tribunal do algoritmo

​    O caso do jovem Roberto Farias que se perdeu durante trilha no Pico do Paraná após ser deixado para trás pela amiga Thayane Smith expõe uma ferida aberta em nossa sociedade: a transformação de erros de conduta em espetáculos de entretenimento.
    É inegável que a jovem falhou ao quebrar a regra de ouro do montanhismo "nunca abandonar um companheiro". Essa imprudência, embora grave e que deva ser criticada, foi rapidamente sequestrada por uma narrativa midiática sensacionalista que, em vez de focar nos esforços de busca e no resgate do rapaz, preferiu transformar as reações e o modo de falar da jovem em um "reality show" de julgamento moral.

    ​A mídia tradicional e as redes sociais colaboraram ativamente para essa caça às bruxas moderna. Enquanto o jovem ainda estava desaparecido, influenciadores e "especialistas" em expressões corporais dissecaram cada gesto e palavra da jovem, acusando-a de um assassinato que nunca aconteceu, baseando-se apenas em suposições vazias. Mesmo após o rapaz ser localizado com vida, encerrando qualquer tese de crime, o foco não mudou. Alguns programas em rede nacional e o tribunal digital continuaram a espremer a relação entre os dois, buscando incansavelmente um motivo para problematizar o caso, provando que o interesse maior nunca foi a segurança do trilheiro, mas sim o engajamento gerado pelo linchamento.
​    Esse cenário é o retrato de uma internet tóxica que opera sob a lógica do ódio. No passado, multidões se reuniam para ver fogueiras baseadas em julgamentos morais; hoje, o algoritmo mantém essa 'chama acesa' e alimenta um perigo extremo ignorando que o peso de um cancelamento dessa magnitude já levou indivíduos a atentar contra a própria vida. 
    Quando a mídia escolhe focar no "personagem vilão", ela valida a violência virtual e autoriza o público a destruir uma vida por puro entretenimento.
    ​Ao fim, o caso do Paraná deixa um alerta: precisamos urgentemente questionar essa sede de sangue digital. Se continuarmos permitindo que a opinião pública, alimentada por análises superficiais e manchetes caça-cliques, substitua a justiça e os fatos, estaremos condenando a todos à barbárie de um tribunal que não aceita erros e não conhece a compaixão.
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As 10 vozes femininas mais fracas do pop atual (2015)


        Após o sucesso e a repercussão da nossa lista de 2013 'As 15 vozes femininas mais fracas do pop', decidimos que era hora de uma atualização. Dois anos depois, muita coisa mudou no cenário musical.

        Desta vez, focamos exclusivamente em artistas em atividade. Removemos nomes que se afastaram dos palcos ou que perderam espaço no debate atual, como Scarlett Johansson e Emily Osment. 


10. JENNIFER LOPEZ

        A falta de afinação não é exatamente o problema de JLo. Sua maior limitação vocal está ligada à falta de potência e, em certos momentos, ao fôlego — embora, neste último quesito, possamos dar um desconto, já que ela entrega coreografias impecáveis. Dona de um timbre característico que vem sendo moldado há décadas (afinal, a diva é uma veterana do Pop/R&B, apesar da aparência sempre jovial), Jennifer deixa a desejar nas performances ao vivo ao não alcançar as notas altas que ouvimos em estúdio. Quando arrisca, o resultado nem sempre é o esperado. Ainda assim, seu carisma, presença de palco e o "conjunto da obra" continuam impressionando o público.


9. AVRIL LAVIGNE

        Este é um caso delicado. Avril é uma artista extremamente querida e marcou gerações com seus hits, mas seria impossível ignorar suas limitações nesta lista. Se em estúdio sua voz se encaixa perfeitamente ao estilo de suas músicas, no palco a situação muda. Avril frequentemente deixa a desejar em apresentações ao vivo, seja por deslizes na afinação ou por evidenciar que está cantando no seu limite vocal. Falhas na voz também são recorrentes — o que é compreensível para alguém de timbre doce e agudo que precisa sustentar um repertório mais pesado e agitado.


8. DULCE MARIA

        Dona de um timbre peculiar e diferenciado, Dulce divide opiniões: há quem ame e quem ache sua voz irritante. O caso dela é atípico porque as dúvidas sobre sua qualidade vocal surgem não apenas no palco, mas também em estúdio. Embora suas músicas sejam bem produzidas e recebam o carinho do público, os agudos anasalados e os frequentes deslizes na afinação durante os shows são difíceis de ignorar. Por essas e outras, ela garante seu lugar na lista.  


7. CARLY RAE JEPSEN

        Apadrinhada por Justin Bieber e fenômeno no Canadá, Carly invadiu as paradas com o mega hit Call Me Maybe. No entanto, a recepção esfria quando ouvimos a cantora ao vivo. No palco, sua voz soa muito mais fina e, por vezes, enjoativa — bem diferente da versão polida e agradável das gravações. Podemos dar um desconto por sua pouca experiência em grandes arenas, mas, por enquanto, ela ainda precisa provar que consegue sustentar um show sem depender apenas do carisma.
  

6. IGGY AZALEA   
           
        "Ame ou odeie": este seria o slogan de Iggy se ela fosse um produto. Mas sejamos realistas: mesmo seus maiores fãs precisam admitir que a rapper não é uma grande vocalista. É decepcionante assistir a uma performance esperando o "vozeirão" de Fancy e encontrar versos atropelados e excessivamente nasais. As rimas velozes e o tom encorpado do rádio parecem desaparecer no palco. Falta fôlego, falta potência e, principalmente, energia mas sobram hits, bons hits.


5. SELENA GOMEZ

        Selena é o clássico exemplo da estrela de TV que resolveu se arriscar nos palcos. Sua transição da telinha para o pop foi gradual e rendeu bons frutos, com hits bem produzidos. O que intriga, no entanto, é a involução vocal: a potência que ouvíamos em singles como Naturally parece ter sumido com o tempo. Como suas apresentações costumam ser mornas e exigem pouco esforço técnico, a dúvida sobre seu real talento vocal permanece viva.
  

4. KE$HA

        Analisar a técnica de Ke$ha é um desafio, já que o desleixo parece fazer parte do pacote. Entre a realidade e o personagem de "garota festeira", a loira entrega performances vocais bem instáveis. Embora tenha uma voz diferenciada e um talento inegável para composições chiclete, Ke$ha peca gravemente no ao vivo, com desafinações que testam a paciência do público. No fim das contas, ela acaba entretendo pelo caos: os erros são tantos que se tornam parte do show. Quem compra o ingresso está mais interessado na energia caótica da party girl do que em uma aula de canto.


3. KATY PERRY

        A grande polêmica do pop. Dona de hits históricos e de uma simpatia contagiante, a California Gurl deixa muito a desejar ao vivo. Além das desafinações, a falta de fôlego é recorrente — o que levanta a questão: por que correr e pular tanto se os vocais não aguentam o impacto? O espetáculo visual, os figurinos e o corpo de baile acabam servindo como uma cortina de fumaça para esconder a instabilidade vocal. É triste perceber que uma das maiores estrelas da atualidade nos entrega um produto tão "mascarado".
  

2. NICOLE SCHERZINGER

        A ex-líder das Pussycat Dolls carrega um título nada invejável: a "rainha do flop". Mas, além dos problemas comerciais de sua carreira solo, o foco aqui é a voz. Se Deus foi generoso na beleza física de Nicole, o mesmo não se pode dizer de sua técnica vocal. A pouca potência e os gritos roucos e desafinados marcam suas performances desde a época do grupo. O jeito, muitas vezes, foi apelar para o rebolado e tentar hipnotizar o público visualmente. 


    1. BRITNEY SPEARS

        A "Princesinha do Pop" acabou herdando outro título: a rainha do playback. Há anos a Miss Spears não mostra sua voz real, e boatos de "dublês vocais" em estúdio são constantes. Britney se tornou uma marca, um rosto que vende ingressos por nostalgia e espetáculo visual. Assistindo a qualquer performance da era Femme Fatale, fica claro que, embora seja uma mestre do entretenimento, vocalmente ela perde até para as artistas iniciantes mais limitadas.
 

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Quando um homem se torna um herói

    Encontrar algo que não nos pertence e devolver ao dono é um ato de honestidade simples, mas que, infelizmente, parece cada vez mais raro no mundo atual.

    Recentemente, em Porto Alegre, o estudante de Direito Carlos Felipe Severo Chitão, de 23 anos, encontrou uma quantia em dinheiro esquecida em um caixa eletrônico por uma idosa que estava à sua frente na fila. Após esperar alguns minutos sem que ela retornasse, o jovem decidiu deixar um bilhete no local, esperançoso de que a senhora o lesse em uma visita futura: "Senhora que sacou dinheiro aqui por volta das 13h35, esqueceu o valor no caixa. Favor me ligar para que eu o devolva".


    O gesto viralizou na internet, gerando uma onda de compartilhamentos e curtidas. O rapaz recebeu dezenas de mensagens de todo o Estado parabenizando-o pela atitude. É curioso notar como um comportamento que deveria ser o padrão acaba se tornando um "ato heroico" e motivo de orgulho para a sociedade. Sem menosprezar a nobreza da ação, cabe o questionamento: a que ponto chegou o egoísmo e a falta de princípios de um povo para que gestos corriqueiros causem tamanha comoção geral?

    Essa inversão de valores não é exclusividade do Brasil. Podemos citar o caso do jogador italiano Simone Farina que, em 2011, tornou-se herói nacional ao recusar um suborno de 200 mil euros para manipular o resultado de uma partida da Copa da Itália. Além de recusar a proposta, ele denunciou o esquema à polícia. Farina foi idolatrado por todos — ligados ou não ao esporte — simplesmente por não ter se corrompido.

    Em meio a sucessivos escândalos envolvendo políticos, empresários e figuras públicas, cidadãos honestos ganham destaque como uma minoria isolada. Eles agem conforme princípios que deveriam ser fundamentais desde a infância, mas que parecem se dissolver em sociedades de consumo extremo, onde a riqueza material muitas vezes atropela a ética.

    Felizmente, com o auxílio da agência bancária, Carlos conseguiu devolver o dinheiro à dona. Parabéns a ele por integrar esse "time do bem" que precisa, com urgência, de novos membros. Que possamos nos orgulhar de exemplos assim e compartilhá-los com as novas gerações. O objetivo é que, no futuro, a integridade deixe de ser um evento extraordinário para se tornar tão comum quanto as más atitudes que hoje lamentamos.

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Youtube e a retrospectiva vergonhosa do gosto musical brasileiro

    O YouTube divulgou recentemente uma retrospectiva com os vídeos mais assistidos pelos brasileiros. Como era de se esperar, o sertanejo e o funk dominaram a lista, deixando um questionamento incômodo no ar: qual é o real nível cultural do consumo de entretenimento no nosso país?    

    É maçante a tonelada de "lixo musical" lançada nos últimos anos. O funk, historicamente marcado por letras de baixo calão, mantém a mesma sonoridade repetitiva. No entanto, agora ele aparece fortemente aliado ao sertanejo universitário — um rótulo meramente comercial para um gênero que, muitas vezes, carece de profundidade. Essa fusão tornou-se a febre do momento, impulsionada por um modismo vazio e pela falta de critérios de uma juventude que parece priorizar o consumo imediato em vez da qualidade artística.


           Confira o top 10 e, se puder (não aconselho), ouça esses 'hits' e note a pobreza em originalidade da nossa música e a incrível criatividade desses 'artistas' somente quando o assunto é duplo sentido envolvendo sexualidade.

1. Munhoz & Mariano – "Camaro Amarelo" (tema muito interessante para uma música, não?!)
2. PSY – "Gangnam Style"
3. Para nossa alegria
4. MC Boy do Charmes – "Onde Eu Chego Paro Tudo" (já dá para ter uma ideia da música, só pelo nome do grupo)
5. MC Guime – "Plaque de 100"
6. Luan Santana – "Te Vivo"
7. MC Rodolfinho – “Como É Bom Ser Vida Loka” (só sendo Vida Loka mesmo para gastar com internet para ver/ouvir isto)
8. Luan Santana – "Você De Mim Não Sai"
9. Gabriel Gava – “Fiorinho” (Mas que diabos é isto??!!)
10. MC Danado – "Top Do Momento"




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HoloFLOP ♪ Nicole Scherzinger

    Segundo o grande sábio da web, o Wikipédia, FLOP é o termo usado para determinar quando um artista não consegue atingir o topo das paradas. Mas qual é o real parâmetro para medir um fracasso? Quais artistas e trabalhos carregam essa denominação hoje em dia? É para isso que estou aqui: mirando o cursor e colocando — em alguns pela primeira vez — todos os holofotes em sua direção.

Como esta é a estreia da coluna HoloFLOP, decidi buscar alguém de grande destaque nesse meio, que estivesse fortemente associada ao termo. Não poderia ser outra pessoa: acomodem-se em suas poltronas, porque Nicole Scherzinger vem aí.
A morena bombou nas paradas liderando as Pussycat Dolls, é uma das melhores dançarinas do show business e dona de um corpo de parar o trânsito. Mas, quando o assunto é carreira solo... a história muda. Dos nove singles lançados até agora, apenas um (Don't Hold Your Breath) conseguiu uma primeira colocação digna de nota em algum lugar do mundo: na parada britânica.
Achou pouco? Que tal eu informar que a melhor posição da cantora na Billboard Hot 100 (o termômetro real do sucesso) foi um esforçado 39º lugar? Ainda é pouco? Então vale relembrar que seu finado primeiro álbum, Her Name Is Nicole, foi planejado por três anos e trouxe parcerias de peso como Will.I.Am, T.I. e Polow Da Don. Teve quatro singles extraídos e fracassou tanto em vendas que o álbum foi adiado e, posteriormente, cancelado.

Para provar que Nicole tem "pés frios" em relação a vendas, veja o desempenho de suas colaborações:

  • Scream (feat. Timbaland): Enquanto o produtor alcançou o number one com Nelly Furtado e OneRepublic, com Nicole sua melhor posição foi um 5º lugar... sabe onde? Na Polônia.

  • Heartbeat (feat. Enrique Iglesias): Enrique conseguiu o topo com Pitbull em I Like It e repetiu o feito com a obscena Tonight. Já Heartbeat amargou um modesto 5º lugar na Austrália e na Dinamarca.

Se lá fora o fracasso mancha a imagem da cantora, aqui o efeito é o oposto: se não vingou na gringa, corre para cá que nós damos o devido destaque! Por isso, não restam dúvidas: até que a Billboard prove o contrário, a linda e doce Nicole Scherzinger é a nossa musa, a Rainha do HoloFLOP.

 
 
NEXT A próxima edição da coluna será com ninguém mais, ninguém menos, que Christina Aguilera. Será que a loira rouba o título de realeza de Nicole? Enquanto não descobrimos, deixe seu voto nos comentários:
 

Quem merece mais o título de 'Rainha do HoloFLOP', Nicole ou Christina?
 
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