Por que as siglas dos Aeroportos são tão estranhas?

    No Brasil, muitos códigos de aeroportos parecem um verdadeiro enigma. Afinal, quem nunca se perguntou por que Campinas é VCP ou Salvador é SSA? Diferente do que se imagina, esses códigos nem sempre utilizam as iniciais óbvias da cidade; muitos homenageiam nomes antigos de aeródromos, locais históricas ou os bairros onde as pistas foram originalmente construídas.

    Outro fator determinante é que esses códigos são universais e exclusivos. Para evitar confusões no sistema global, quando uma sigla já está ocupada por outra cidade, é necessário buscar uma alternativa. É por isso que Curitiba utiliza CWB, uma vez que combinações como CBA, CUR ou CTB já pertencem a aeroportos em outras localidades do mundo.

    Como estamos em 2026, vale destacar que, embora a nossa malha aérea tenha se expandido e modernizado significativamente, esses códigos históricos permanecem imutáveis, funcionando como a identidade definitiva de cada destino.

    Prepare o seu cartão de embarque e confira as 10 siglas que mais confundem os passageiros brasileiros:


1. CWB— Curitiba (PR)

A sigla refere-se ao nome do aeroporto: Curitiba-Afonso Werneby (uma adaptação do nome de Afonso Pena com a localização em São José dos Pinhais). Outra teoria comum é a combinação de Curitiwba (grafia antiga). Esse jogo de letras foi preciso pois as siglas mais óbvias para a cidade já estavam em uso em outras localidades.


2. GIG — Rio de Janeiro (RJ)

Para quem não conhece a geografia carioca, GIG parece aleatório. A sigla vem de Governador Ilha do Governador, o local onde o Aeroporto Internacional Tom Jobim está situado.


3. BSB — Brasília (DF)

Embora contenha o "B", o uso do "S" no meio confunde muita gente. Ela segue a abreviação antiga da capital: BraSília Base (referente à Base Aérea).


4. VCP — Campinas (SP)

O Aeroporto de Viracopos não usa "CAM". A sigla é uma abreviação direta do nome do próprio aeroporto: ViraCoPos.


5. CNF — Belo Horizonte (MG)

Belo Horizonte utiliza a sigla de CoNFins, o município onde o aeroporto internacional foi construído para desafogar o antigo aeroporto da Pampulha (PLU).


6. GYN — Goiânia (GO)

GOI e GIN já estavam em uso em outras localidades do mundo, optaram por manter o G e as consoantes que dão a sonoridade final da palavra: GoiâNYa (usando o Y como substituto para o som do "i", apenas para diferenciar).


7. SDU — Rio de Janeiro (RJ)

Diferente do GIG, o aeroporto central do Rio homenageia diretamente o pai da aviação: Santos DUmont. Sem saber o nome do aeroporto, é impossível associar à cidade do Rio.


8. MGF — Maringá (PR)

Refere-se ao Aeroporto Regional de Maringá — Maringá/Gláucio de Figueiredo.


9. CGB — Cuiabá (MT)

Faz referência direta ao nome oficial do aeroporto: Aeroporto Internacional de Cuiabá — Cuiabá/Governador Bento Munhoz. A sigla CUI já pertencia ao Aeroporto de Currillo, na Colômbia. Como o sistema não permite duplicidade, Cuiabá precisou de uma combinação diferente.


10. VIX — Vitória (ES)

Na época em que os códigos foram padronizados, siglas óbvias como VIT ou VIC já estavam ocupadas por outros aeroportos no mundo. Como não era possível usar as siglas mais intuitivas, foi adotada uma prática comum na aviação: usar o X como uma "letra coringa" para completar o código de três letras, como foi feito em aeroportos de outras regiões: LAX/Los Angeles, DXB/Dubai.

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Trilhas, amigos e o tribunal do algoritmo

    O caso do trilheiro que se perdeu no Paraná após ser deixado para trás pela amiga expõe uma ferida aberta em nossa sociedade: a transformação de erros de conduta em espetáculos de entretenimento.
    É inegável que a jovem falhou ao quebrar a regra de ouro do montanhismo "nunca abandonar um companheiro". Essa imprudência, embora grave e que deva ser criticada, foi rapidamente sequestrada por uma narrativa midiática sensacionalista que, em vez de focar nos esforços de busca e no resgate do rapaz, preferiu transformar as reações e o modo de falar da jovem em um "reality show" de julgamento moral.

    ​A mídia tradicional e as redes sociais colaboraram ativamente para essa caça às bruxas moderna. Enquanto o jovem ainda estava desaparecido, influenciadores e "especialistas" em expressões corporais dissecaram cada gesto e palavra da jovem, acusando-a de um assassinato que nunca aconteceu, baseando-se apenas em suposições vazias. Mesmo após o rapaz ser localizado com vida, encerrando qualquer tese de crime, o foco não mudou. Alguns programas em rede nacional e o tribunal digital continuaram a espremer a relação entre os dois, buscando incansavelmente um motivo para problematizar o caso, provando que o interesse maior nunca foi a segurança do trilheiro, mas sim o engajamento gerado pelo linchamento.
    Esse cenário é o retrato de uma internet tóxica que opera sob a lógica do ódio. No passado, multidões se reuniam para ver fogueiras baseadas em julgamentos morais; hoje, o algoritmo mantém essa 'chama acesa' e alimenta um perigo extremo ignorando que o peso de um cancelamento dessa magnitude já levou indivíduos a atentar contra a própria vida. 
    Quando a mídia escolhe focar no "personagem vilão", ela valida a violência virtual e autoriza o público a destruir uma vida por puro entretenimento.
    ​Ao fim, o caso do Paraná deixa um alerta: precisamos urgentemente questionar essa sede de sangue digital. Se continuarmos permitindo que a opinião pública, alimentada por análises superficiais e manchetes caça-cliques, substitua a justiça e os fatos, estaremos condenando a todos à barbárie de um tribunal que não aceita erros e não conhece a compaixão.
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