O mercado musical mudou drasticamente: o consumo hoje é ditado por algoritmos de streaming e tendências passageiras em aplicativos de dancinhas, o que criou um abismo para artistas que dependiam somente de rádios e vendas de álbuns. Foram tantas cantoras tentando retornar ou se manter em evidência junto a recorrentes flops que é possível dizer que vivenciamos a "Crise das Divas 2000".
Aqui está uma breve análise sobre por que os retornos estão sendo tão difíceis e por que a Rihanna é o maior ponto de interrogação atual da indústria.
Por que o retorno da Rihanna é arriscado?
Muitos imploram pelo R9, mas o risco de um "degelo" na imagem é real. Vejamos:
O Peso da perfeição: Seu último álbum, ANTI (2016), é considerado uma obra-prima. Quanto mais tempo ela demora para lançar algo novo, maior fica a expectativa. Se ela entregar algo "apenas bom", ou se não houver o desempenho esperado nas paradas, ela será massacrada como se fosse um fracasso total. Infelizmente, este mercado machista exige muito das nossas estrelas femininas; é nítida essa injustiça.
Mudança de Prioridades: Rihanna hoje é uma bilionária da beleza (Fenty Beauty) e o público percebe quando a música vira segundo plano. Se este retorno soar como uma obrigação contratual - se ela lançar um álbum só por lançar, sem aquela dedicação com performances em todos os awards e clipes de alto investimento - ela pode perder aquele brilho de "it girl" intocável.
Desconexão Geracional: O som que Rihanna dominava (o R&B/Pop comercial) foi substituído por uma estética mais crua e alternativa. A geração que cresceu fiel ao seu trabalho hoje divide espaço com novos públicos que exigem uma rebeldia a mais no estilo; algo que uma artista de carreira tão consolidada pode não se fazer questão de abraçar apenas para agradar. É aqui que surge o embate em que muitos artistas travam: tentar se adaptar pode soar forçado, mas não se adaptar pode soar datado.
O flop de quem não parou
Essas artistas tentaram manter a máquina girando, mas perderam o timing do grande público:
- Katy Perry: Tentou resgatar a fórmula de 2012 com o álbum 143, mas foi recebida com frieza. A crítica detonou a falta de inovação e a produção datada.
- Jennifer Lopez: O projeto This Is Me... Now teve vendas baixas e turnê cancelada, mostrando uma desconexão com o que as novas gerações consomem.
O Desafio do Retorno após o Hiato
Elas voltaram após anos, mas a indústria já era outra:
- Nelly Furtado: Voltou com o álbum 7 em 2024. Embora respeitada pela crítica, o impacto comercial foi nulo, tornando-a uma "artista de festivais", sem força nas rádios.
- Fergie: O retorno com o Double Dutchess demorou 11 anos. O excesso de adiamentos e comparações com o estrondoso The Dutchess fizeram o álbum sumir das paradas rapidamente.
- Pussycat Dolls: O retorno promissor com "React" foi enterrado por brigas judiciais, mas também pelo fato de terem apoio basicamente do público antigo. Sem apelo da nova geração, o grupo não conseguiu chegar nem perto do desempenho do seu auge.
Lady Gaga: A reconstrução de uma Era
O sucesso atual de Gaga com o álbum Mayhem não caiu do céu. Ela passou por maus bocados com o Artpop (2013), que foi atacado pela crítica, e o Joanne (2016), que teve recepção morna.
- A Virada: Ela virou atriz e brilhou (Nasce uma Estrela), se aventurou no Jazz com Tony Bennett e com o álbum Chromatica voltou aos holofotes, mas ainda sem o desempenho gigante do seu auge. Para o sucesso de hoje foi necessária uma reconstrução de 10 anos, nada veio de mãos beijada para a mother monster.
Afinal Rihanna deve voltar ou não?
Ainda assim, desejamos que seu retorno caso ocorra faça seus fãs felizes e alcance o grande público novamente, independentemente de números ou recordes. É urgente que o mercado pare de cobrar das mulheres a perfeição e o sucesso absoluto a cada passo; a música deve ser celebrada pela arte e pela conexão que gera, e deste tipo de impacto sabemos que a nossa musa caribenha entende muito bem.






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